CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »
Mostrando postagens com marcador Poetizando. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poetizando. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Cá estou novamente...


Navegando à deriva,
à margem do rio que corre quase seco,
entregue à solidão do inquieto peregrino
que caminha rumo ao desconhecido,
na busca incessante de si mesmo
e do fim de seus conflitos.
A mágoa de um passado não cicatrizado,
as dores e as chagas encobertas
por um sorriso
que por mais que tente,
ainda não sai por completo.

Débora Goya

Fragmentos de Dentro e Fora


Cobertas com estrume
explodem, cá dentro, as faces
descobertas e amassadas
de um infame passado.

Apodreça longe!

Dentro e fora
fragmento-me num céu
de nuvenzinhas enquanto um
anjo menino, a bisbilhotar todo
o silêncio, retribui, com doce vinho
e florinhas de sorrisos à toa,
o recomeço do dia.

Mas cá fora, que também
é dentro, ainda escorre
elástico cimento...

E é na morte da aurora,
em cada passo dado em falso,
que ergo o cadafalso onde,
de condenada em mormaços,
Em dura ruptura,
Faço-me
Liberta!

Patrícia Gomes

Leia mais em

Estado de Lítio
Alma do Meu Sonho
Sensualizarte
Patuska Gomes

P.S.: Se isso fosse de minha autoria, seria para o ser mais asqueroso que já me relacionei um dia.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Esperando o Inverno

Não que eu seja uma grande entusiasta do inverno, mas amo tudo o que essa mulher escreve!!!

Enquanto o inverno
chega de manso
são longas as tardes
que espero passar
sem sentir o frio nas janelas.

São simples tardes
esquálidas e eriçadas
como os santos presos em capelas,
sem largatixas nos muros ao sol.
Até mesmo os cães em muxoxo
deixam-se quietos num qualquer
canto do já ressequido jardim.

Como envelhecem essas tardes e
nem rugas criam enquanto as
flores tremem lá fora com o
fim do sol que há tempos queria posto.

O sépia dando lugar, após a ousadia,
ao preto e branco da lua que baila
em prata pelo negrume véu do céu;

E o tempo flui mais livre
enquanto o vento desgrenha e
amarrota as árvores e folhas lá de fora
que também esperam o inverno, mas
Não com a mesma esperança
Que eu...

Patrícia Gomes

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Tempestade



Quero uma tempestade
Uma chuva torrencial,
Penetrando-me os poros;
Lavando tudo aquilo
Que não mais me serve.
Só assim terei bons sonhos.

(twittado em 29/10/2008)

Débora Goya

Por causa de alguém


Oh! por causa de alguém, sem calma,
triste, triste estava minh'alma!

Jamais, jamais, me consolei,
mesmo depois que a abandonei!

E mesmo depois de a minh'alma
procurar longe dela a calma,

jamais, jamais, me consolei,
mesmo depois que a abandonei!

E meu coração, tão sensível,
diz à minh'alma: - É, pois, possível,

será possível, ele insiste
este exílio cruel e triste?

E a alma responde ao coração:
Sei lá porque esta ilusão

de estarmos perto, ainda que ausentes,
e, ainda que longe, tão presentes?

Paul Verlaine
Imagem: Yoshitaka Amano em Caçadores de Sonhos

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sou(L)

Não. Eu não escrevo bem.
Não tão bem quanto gostaria
Não tão bem quanto o Z, o P e a P.

Mas escrevo melhor que C.


Escrevo com sinceridade,
Meio perdida em letras e palavras
Que se formam e eu desformo.
Mas!...
Escrevo o que Sou(L).

Ou seja:
Não sou melhor que o Z, o P e a P.

Mas sou melhor que C.


Débora Goya

Altos & Baixos




























Quero mas não quero

Atraio e depois expulso

E nesta gangorra orgânica

Chamada coração

Vou seguindo e tropicando,

Tal qual bêbado em ebulição.


Débora Goya

Apatia


















Acordei, mas não despertei.
A dormência se faz presente
Por todo o meu corpo
Entorpecendo-me a alma.
Um algo, que não é tristeza,
Mas tampouco é alegria,
Se manifesta em mim.
Os pensamentos vagam pela caixa oca
E me fecho para que isto não se alastre,
Mas ela torna-se cada vez
Mais insuportável de levar.
Perco-me em mim mesma,
Mergulhada num imenso
Mar de não sei
.

Texto: Débora Goya

domingo, 12 de abril de 2009

Emudecido


















Calo em mim,
todo o sentimento de amor
Deixo-o livre; assim tem de ser
Sigo adiante,
Na solidão inquieta do peregrino aflito
A estrada é escura, sombria
Mas o brilho das estrelas
Nutre a chama de minh' alma
Preservando o calor
De um coração mudo

Imagem: Van Gogh - 'Noite Estrelada'

Texto: Débora Goya

terça-feira, 7 de abril de 2009

Almodóvar em minha casa

Quero uma casa de rico colorir
Quero cores de montão
E quando a porta para Almodóvar eu abrir
Que ele entre e grite:
Ação!

Imagem: Ricardo Juchem
Texto: Débora Goya


quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Quarto e a Lua



Cheiro.
E a pele por trás do perfume
Pulsa.
Exala.
Correntes e coleira
Couro
Desejo
E fetiches.
E ela aguarda seu amante.
Com mãos livres.
Tato.
E o toque cálido das mãos excita.
Brinca a mulher com seus próprios
dedos
descobrindo o corpo.
Pele convidando a pele
Provocando a noite
E seu amante.
Quarto.
Cama.
E a luz da lua pela janela.
E na noite
corpos são vultos
e nela
licores selvagens
na cama entre gemidos e urros
como animais se encontram
E os amantes se entrelaçam
e suas veias são chamas
são chamados de carne.
Selvagens, nada silenciosos
Acordando os vizinhos
Com palavrões e sacanagens
a plenos pulmões
Trepam.
simplesmente trepam.
Por que fazer amor é brega
e amor não se faz.
Se faz sexo.
E as horas noturnas despertam outros amantes
mesmo aqueles que se contentavam
na arte monótona
de apenas dormir.
E da cama ao chão
e do chão a parede.
Num jogar de corpos
num puxar de cabelos.
Geme a mulher pela janela
corpo desnudo
envolta em braços
Sem quaisquer pudores
dispensaveis
nessas horas.
Desvairada, submissa
boca de encontro a pele
E ao brilhar da lua
em sua face
contrastando a escuridão
ao redor.
A expressão de orgasmo é
captada...uma breve luz invade o quarto.
Afinal sempre tem um voyeur filho da puta.
E você?...
O que está parado ai fazendo?
Por acaso vendo?

Por Pablo Frazão

quinta-feira, 12 de março de 2009

O que quero

'But all the promises we make
From the cradle to the grave
When all I want is you'

Apenas uma parte do nó foi desatada.
Ainda há muito o que fazer.
Em espera eu fico
Mas a saudade é o que me mata.